A Mentira Gravada no DNA

O médico entregou-me o relatório do teste de ADN, o seu rosto sem expressão.

"A probabilidade de paternidade é de 0%. O feto não tem relação biológica com o Sr. Lucas."

Segurei o papel, as minhas mãos a tremer ligeiramente.

O meu marido, Lucas, arrebatou o relatório da minha mão, os seus olhos varrendo as conclusões. Um sorriso frio e cruel espalhou-se pelo seu rosto.

"Sofia, sua vadia mentirosa. Como te atreves a engravidar do filho de outro homem e a tentar fazê-lo passar por meu?"

A sua voz era baixa, mas cada palavra era como um golpe.

A sua mãe, a minha sogra Inês, que estava sentada no sofá, levantou-se abruptamente.

Ela apontou para o meu nariz e gritou, a sua voz estridente a ecoar na sala de estar.

"Eu sabia! Eu sempre soube que não eras uma boa mulher! Casaste com o meu filho e ainda assim andas por aí a dormir com outros! Que vergonha para a nossa família!"

Ela avançou e deu-me um empurrão forte no ombro.

Eu cambaleei para trás, chocando contra a ponta afiada da mesa de café. Uma dor aguda atravessou a minha barriga.

Agarrei o meu abdómen, o pânico a instalar-se.

Eu estava grávida de três meses.

"Lucas, não é o que pensas," disse eu, a minha voz a tremer. "Eu nunca te traí. Deve haver um engano."

Lucas riu, um som desprovido de qualquer calor.

"Um engano? O relatório está aqui a preto e branco, Sofia. Os números não mentem."

Ele aproximou-se, o seu corpo alto a pairar sobre mim. O seu cheiro, que antes me confortava, agora sufocava-me.

"Diz-me, quem é o pai? Foi o teu chefe? Ou talvez aquele teu amigo da faculdade que ainda te manda mensagens?"

Inês juntou-se, a sua voz cheia de veneno.

"Temos de nos livrar dessa abominação imediatamente! Não vou permitir que um bastardo manche o nome da família Costa!"

Ela agarrou no meu braço, as suas unhas a cravarem-se na minha pele.

"Vamos para o hospital agora. Vais fazer um aborto."

O meu sangue gelou. "Não! Este bebé é teu filho, Lucas!"

Olhei para ele, implorando com os meus olhos. Estávamos casados há dois anos. Tínhamos planeado esta gravidez. Ele tinha chorado de alegria quando lhe mostrei o teste positivo.

Agora, ele olhava para mim como se eu fosse lixo.

"Não me chames pelo meu nome," sibilou ele. "Tu perdeste esse direito."

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