A médica da matilha

Warren

Charlie ordenou que dois lobos a escoltassem, a mantendo segura e também garantindo que ela seguisse minha ordem.

"Alfa?", Charlie me perguntou pelo vínculo mental.

"Ela é minha companheira."

"Puta merda."

"Pois é."

"Ela sabe? Mas parece que ela não te reconhece como seu companheiro."

"Não tenho certeza, mas ela é uma loba solitária e está cursando medicina e veterinária."

Ele se virou e olhou para ela. "Nossa. Ela é bem inteligente."

"Pelo visto."

"O que ela disse sobre sua perna?"

"Que preciso de uma cirurgia."

"Bem, sem querer ofender, mas isso eu já poderia ter te dito."

"Vamos ver o que ela diz quando chegarmos à matilha, mas antes arranje uma camisa para ela. Não quero que ela fique andando sem camisa perto dos nossos guerreiros."

Então, ele saiu correndo em direção ao nosso território da matilha. Quando ele voltou, seu lobo trouxe uma camisa para ela na boca.

"Estamos prestes a chegar na minha matilha. Você é uma jovem loba não marcada e que não conhecemos. Achei que você gostaria de uma camisa para se cobrir", eu disse, a observando olhar para mim. Se ela recusasse, eu insistiria, mas esperava que ela a vestisse sem que eu precisasse exigir. Felizmente, ela a vestiu, parecendo até aliviada. Que bom que ela não era o tipo de mulher que exibia seu belo corpo para todos...

Quando chegamos, fui levado direto para o hospital da matilha, perguntando a Charlie sobre outras lesões e o que aconteceu com a matilha de Brady. Enquanto entrávamos, ele me entregou a lista de ferimentos se transformou e continuou a falar comigo em voz alta.

"Alfa, vamos levá-lo para uma sala para que possamos examinar sua perna. Você precisará de raio-x."

"Sim, precisarei mesmo", respondi. "A garota virá também."

"A garota tem um nome", ela murmurou. Me virei para olhá-la, fazendo com que seus olhos se arregalassem. Claramente, ela não conviveu com muitos Alfas, ou fazia muito tempo que não convivia. Ela continuou murmurando para si, como se eu não pudesse ouvi-la, o que eu achava até fofo.

"Se você me disser seu nome, ficarei feliz em usá-lo", eu disse.

"Yara."

"Yara. Sou o Alfa Warren. Venha comigo." Me virei e deixei os guerreiros me ajudarem a entrar na sala de raio-x.

"Quem é você? Saia!", o doutor Stevens gritou para ela quando entramos na sala.

"Ela está comigo", eu disse, ignorando sua atitude arrogante pelo fato de uma jovem estar na sala conosco.

Ela olhou para ele, e fiquei feliz quando ela se aproximou de mim por instinto.

Após me acomodar na mesa, o doutor Stevens preparou a máquina de raio-x. Enquanto ele fazia isso, fiquei observando Yara, Agora que eu podia vê-la sob a luz, percebi que ela era uma coisinha linda e tinha um rosto muito expressivo. Eu tinha certeza de que pensaria isso mesmo se ela não fosse minha companheira, afinal, pelos olhares que meus guerreiros lançavam para ela, ela era uma beleza natural. Ainda bem que ela estava com aquela camisa, ou eu teria que arrancar os olhos deles.

Por estar a observando, a vi franzir a testa, inclinar a cabeça para o lado e olhar para o doutor Stevens. Quando o doutor Stevens saiu da sala, fiz um sinal com o dedo para ela se aproximar.

"Que olhar foi esse?", perguntei, notando que os olhos da minha companheira eram de um verde-acinzentado, quase da cor de sálvia. Meus olhos também eram verdes, mas não tão escuros quanto os dela.

"Que olhar?"

Apenas ergui uma sobrancelha para ela. Talvez a dor na minha perna estivesse me deixando menos disposto a conversas banais. Eu estava tentando ignorar a dor, mas não era fácil, e Arric não podia me curar até que os ossos fossem colocados no lugar corretamente. Sendo assim, eu não estava tão paciente quanto normalmente estaria nessa situação.

Olhando para trás para ver se o médico estava lá, ela se inclinou, fazendo com que seu cheiro invadisse meu nariz.

"Por que ele não está tirando radiografias das laterais? Ele só tirou uma de cima", sussurrou ela quando o doutor Stevens voltou, a encarou e colocou o raio-x no negatoscópio.

"Bem, Alfa, sua perna não pode ser salva. Acho que teremos que amputá-la", disse ele com indiferença, como se não tivesse acabado de me dizer que meu mundo inteiro estava prestes a desmoronar. Senti meu estômago se contrair e meu coração disparar e, no mesmo instante, ouvi Yara sugar o ar.

"Doutora Yara, o que você acha?", perguntei a ela. Se ela tivesse alguma ideia para eu salvar essa perna, eu a acataria. Não me importava com a dor que isso me causaria ou com o tempo que levaria para me recuperar. Eu era um Alfa há doze anos. Antes disso, eu havia sido um Alfa em formação. Sem meu cargo, sem uma matilha para liderar e proteger, eu não fazia ideia de quem seria.

Ela olhou para mim, depois para o doutor Stevens, que a encarava novamente.

"Doutora?", ele perguntou num tom condescendente. Ele tinha uma mentalidade retrógrada, onde as mulheres eram enfermeiras, destinadas a ficar à disposição de um médico do sexo masculino. Esse era outra razão pela qual ele tinha que ir embora. Minhas enfermeiras viviam reclamando e ameaçando sair.

"Estou estudando para isso, mas sugiro que tire radiografias laterais da perna antes de determinar se ela precisa ser amputada", disse ela, com mais confiança do que eu esperava. Ela poderia não estar à vontade perto de mim ou até mesmo na matilha, mas ali, na sala do hospital, sua confiança era clara.

"Você a ouviu, doutor Stevens. Tire radiografias das laterais", eu disse, vendo ela me olhar com gratidão por tê-la apoiado. Sendo sincero, eu estava grato por ela estar me dando uma opção, qualquer que fosse.

"Senhorita, quais são suas qualificações?", o doutor Stevens perguntou.

"As qualificações dela não são o que está em questão, doutor. Já te dei uma ordem. Tire radiografias das laterais! AGORA!"

Yara deu um pulo quando gritei, mas, sério mesmo, esse idiota ia me dizer que minha perna precisava ser amputada e achava que eu não iria contestá-lo?

Enquanto fazia as radiografias, ele não parou de encarar Yara e, quando voltou, as colocou no negatoscópio e se virou para ela com um sorriso de desdém no rosto. Eu estava prestes a me levantar dessa mesa e arrancar aquele sorriso arrogante do seu rosto.

"O que você acha agora, doutora?", ele perguntou, como se estivesse questionando a competência dela.

Yara foi até o negatoscópio, observando com atenção primeiro uma, depois a outra radiografia, então, se virando em direção ao doutor Stevens, perguntou: "Você tem a original?"

Ele resmungou, mas a entregou, que a colocou no negatoscópio e deu um passo para trás, inclinando a cabeça de um lado para o outro.

"Yara", a chamei, incapaz de conter a esperança que se agitava no meu peito.

"Podemos salvar a perna", disse ela, se virando na minha direção e me fazendo soltar um suspiro de alívio.

"Você só pode estar brincando! A perna dele está estilhaçada!", o doutor Stevens exclamou.

"Sim, está. E exigirá muito tempo e paciência. Mas o Alfa Warren tem tempo, e eu tenho paciência", disse ela, olhando para mim.

"Então faça", eu disse a ela, colocando meu futuro nas mãos dessa mulher e esperando não me arrepender disso.

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