A Luta pela Liberdade

Considerei a sorte estar do meu lado, pois consegui um voo direto de Washington para Boise City, capital do estado onde nasci, Idaho, era raro. Após isso, precisei trocar de avião para ir de Boise até McCall, a cidade onde minha mãe estava internada. Eu gosto do meu estado, um lugar com bastante montanhas e paisagens naturais. Mas, a profissão que escolhi seguir, eu realmente precisava ir para lugares mais movimentados.

Acostumei-me com minha vida agitada em D.C. e depois em Arlington, sinceramente não cogitava voltar para o interior tão cedo. Estou realmente focada na minha carreira. Porém no momento só consigo pensar em minha mãe. Minha mente pede o tempo todo para que ela não piore e consiga me ver a tempo.

Apesar do meu pai ter me ligado no meio da manhã, estava quase anoitecendo e ainda não tinha chegado em McCall, olha que existe um fuso horário de três horas a mais da Virgínia para Idaho. Tento me distrair com a revista que tem no avião ou dormir um pouco, mas minha mente não deixa, só consigo pensar na dona Ella, minha querida e amada mãe.

Cheguei em McCall quase as 18 horas no horário de Idaho, o que seria umas 21 horas no horário da Virgínia. Como não despachei bagagens, apenas trouxe uma mochila com uma muda de roupas, além da minha bolsa, o desembarque foi rápido e logo cheguei na área dos Taxis e tinha alguns disponíveis, entrei no primeiro da fila e pedi para ir à emergência do Hospital St. Luke, que era o único da cidade.

Apesar de ter nascido em Council, conhecia bem McCall, pois para ter uma assistência médica especializada, vinha sempre a McCall quando morava aqui, já que na minha cidade natal só tem um centro médico que atende procedimentos e exames simples. Logo chego no hospital, pago em dinheiro, agradeço ao motorista e desço do veículo, me dirigindo a recepção do hospital e logo uma atendente acena para ir à direção dela.

- Boa noite, gostaria de visitar Ella Collins Lublin, não tenho o número do quarto dela. - Digo o nome completo da minhã mãe, pois esqueci de perguntar sobre o quarto dela para meu pai e depois não liguei novamente, não queria deixar ninguém mais ansioso do que já estava.

- Boa noite, Ella Collins Lublin né? Vou pesquisar. - Balanço a cabeça em confirmando e a atendente digita no computador. - Achei, ela está no andar da CTI, quarto 307, como só tem uma pessoa com ela, consigo liberar sua entrada. Seu nome e sua identidade, por favor?

- Elizabeth Collins Lublin. - Digo entregando a minha identificação. Ela digita meus dados no computador e depois vai na impressora buscar a etiqueta que tenho de colar na roupa.

- Entrada liberada, pode colar na sua camiseta, é quarto 307 no 3º andar, sabe chegar até o elevador? - Ela me entrega a etiqueta e minha identidade.

- Sei sim, muito obrigada e bom trabalho. - Agradeço a recepcionista.

- Obrigada a você e boa noite. - Ela me responde.

Me dirijo ao elevador e espero alguns minutos até um chegue ao térreo, juntamente com algumas pessoas. Assim que chega um elevador, entro e aperto o 3º Andar. Alguns minutos depois chego no andar e procuro pelo quarto 307. Por ela estar no CTI, possivelmente estaria sozinha no quarto. Localizo o quarto e bato na porta.

- Entre. - Diz meu pai com sua voz forte. Assim que abri a porta, meu pai me olhou aliviado e minha mãe esbouçou um sorriso.

- Mãe, cheguei. - Digo enquanto fecho a porta do seu quarto atrás de mim. Após, ando rápido até a sua maca. - Estou aqui mamãe, nunca deixaria de ver a senhora.

- Minha filha, pensei que nunca mais te veria novamente. - Disse ela com a voz bem fraca.

- Desde de manhã quando pisou nesse hospital, ela deu pra falar que vai morrer a qualquer momento. - Responde meu pai antes que eu pergunte por que ela havia pensado o que disse.

- Pronto mamãe, estou aqui e você está me vendo. - Digo para tranquilizá-la e pego na sua mão esquerda com a minha mão direita. Ela sorri para mim e eu acaricio o seu cabelo com a outra mão.

Minha mãe tinha a mesma cor de cabelo que o meu, porém o dela era bem curto e estava enrolado do jeito que ela gostava de manter, apesar naturalmente ser liso. Seus olhos são azuis bem claros, lembra aquelas fotos do mar caribenho que se vê nas revistas.

A pele dela era branca como a minha e o volume de suas bochechas era igual o meu, apesar de sua idade, ela ainda tinha uma bochecha cheia, a boca e o nariz são finos e as sardas em seu rosto mostram bem que somos mãe e filha, além da pouca altura nos condenar. A testa e os cantos dos seus olhos com diversas linhas de expressão mostravam sua idade avançada. Porém, ela está bem pálida, por conta de seu problema de saúde.

Já meu pai era mais alto que nós duas, tinha os olhos castanhos, nos quais eu puxei dele, a boca é fina, mas o nariz era bem arredondado, assim como seu rosto. Ele já tinha ficado careca e estava visivelmente acima do peso, apesar de trabalhar bastante na fazenda.

Além das marcas de expressão, o seu olhar sempre sério, deixava a impressão dele ser uma pessoa fria, o que de fato era verdade, ele nunca foi de demonstrar afeto comigo e com minha mãe, eu somente o vi seriamente irritado e ciumento quando falei que ia estudar em D.C.

Escuto alguém bater na porta e meu pai fala para entrar.

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