A Jornada de Uma Rainha

No dia seguinte, Dante a procurou. Ele a encontrou limpando os estábulos, um trabalho que Lívia a forçou a fazer. O cheiro era horrível, as mãos dela estavam machucadas e sujas.

"Preciso falar com você", disse ele, a voz controlada, sem emoção.

Elara não levantou o olhar. Ela continuou seu trabalho, a pá pesada em suas mãos. "A senhora Lívia não ficaria feliz em vê-lo falando com uma serva."

A mandíbula de Dante se contraiu. "Não me importo com o que Lívia pensa. Olhe para mim, Elara."

Lentamente, ela levantou a cabeça. Os olhos dela, que antes brilhavam de amor por ele, agora estavam frios e vazios como os dele. "Sim, meu senhor?"

A frieza dela o atingiu. Ele esperava lágrimas, súplicas, mas não essa indiferença cortante. "Lívia... ela não está se sentindo bem. O curandeiro disse que precisa de uma transfusão de sangue de alguém com uma força vital pura. Você é a única."

O sangue de Elara gelou. Ele estava pedindo que ela desse seu sangue, sua força vital, para a mulher que a estava torturando. "E se eu recusar?"

"Você não pode", disse ele, a voz dura. "É uma ordem."

Ela foi arrastada para os aposentos de Lívia. A mulher estava deitada na cama, parecendo pálida e frágil, mas seus olhos brilhavam de malícia. Elara foi amarrada a uma cadeira, a agulha fria perfurando sua pele. Ela sentiu sua força vital sendo drenada, a visão escurecendo, o corpo ficando fraco. O curandeiro parecia preocupado, mas Dante não o deixou parar.

"É o suficiente, meu senhor! Mais do que isso e ela pode...", começou o curandeiro.

"Continue", ordenou Dante, sem olhar para Elara.

Quando finalmente acabou, Elara mal conseguia ficar de pé. Ela estava tonta, fraca, sentindo um frio que vinha de dentro. E então, ela viu. Dante se aproximou de Lívia, ajeitou os travesseiros dela com uma gentileza que partiu o coração de Elara. Ele pegou um pano úmido e limpou a testa de Lívia, sussurrando palavras de conforto.

"Descanse, meu amor. Você vai ficar bem agora", ele disse suavemente.

Era um eco doloroso do passado. Ele costumava fazer o mesmo por ela quando ela ficava doente. Cuidava dela com a mesma ternura, sussurrava as mesmas palavras. A ironia era esmagadora, uma faca girando em seu peito. A fraqueza, a dor, a humilhação... tudo se misturou em uma onda de desespero.

Dante se virou para ela, o rosto uma máscara impenetrável. Ele estendeu uma pequena bolsa de moedas. "Sua compensação."

Elara olhou para as moedas, depois para o rosto dele. Compensação? Por quase matá-la? Por roubar sua vida? Ela empurrou a bolsa para longe. "Não quero seu dinheiro."

Lívia, vendo a cena da cama, forçou uma tosse fraca. "Oh, Dante, ela é tão ingrata. Depois de tudo que fizemos por ela." Ela então olhou para um pequeno vaso na mesa de cabeceira. Continha uma única rosa do jardim suspenso, a última que restava da roseira que Elara havia plantado. "E ela ainda ousa manter isso. Essa rosa... me incomoda."

Antes que Elara pudesse reagir, Lívia estendeu a mão e derrubou o vaso. Ele se espatifou no chão, a água e os cacos de vidro se espalhando. A rosa, a última lembrança de seu amor, foi esmagada sob o pé de Lívia.

A raiva e a dor sufocaram Elara. Ela olhou para Dante, esperando, rezando por uma faísca de sua antiga proteção. Mas ele apenas desviou o olhar.

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