A chuva engrossava e o coração de Becky se esfriava.
Ela não sabia há quanto tempo estava ajoelhada do lado de fora, mas quando a chuva parou, o céu ainda estava escuro como breu.
A essa altura, os dois empregados já tinham adormecido. Becky poderia ter aproveitado a situação para ir embora, mas não se conformava;
não conseguia acreditar que Rory pudesse ser tão cruel.
Mas, em certos momentos, até ela precisava admitir que estava sendo ingênua demais.
Quando o dia amanheceu, Rory finalmente apareceu.
Por ter passado a noite toda ajoelhada, Becky estava com as costas curvadas.
Quando ele se aproximou, ela ergueu um olhar sonolento na direção dele e se beliscou para se manter acordada. "Já se acalmou?"
Se estivesse calmo, talvez ele se dispusesse a ouvi-la.
Rory olhava para a mulher à sua frente. Becky estava encharcada pela chuva da noite anterior, e seus olhos amendoados, embora cansados, não escondiam sua determinação.
Ele ficou um pouco incomodado com o olhar teimoso dela. "Você vai admitir seu erro agora?"
Becky ficou atônita, com os olhos arregalados de incredulidade. Naquele momento, ela percebeu que ficar ajoelhada no frio a noite toda não passara de uma grande piada.
Ela se ajoelhara a noite toda para provar sua inocência, e esse ponto não poderia ser descartado daquela forma.
"Não empurrei Babette na piscina. Ela pulou por conta própria."
Enquanto falava, levantou-se lentamente, sentindo as pernas dormentes e doloridas. Quando finalmente conseguiu ficar de pé, ela o encarou e prosseguiu: "Mas sei que você não acredita em mim. Vamos nos divorciar, Rory."
Rory esperava que Becky pedisse desculpas, mas, em vez de admitir o erro, ela declarou que queria o divórcio.
Sem lhe dar a oportunidade de responder, Becky se virou e começou a andar. Seus passos eram lentos e dolorosos, pois seus joelhos estavam inchados após passar a noite inteira ajoelhada. Para piorar, a chuva agravara sua febre, provocando-lhe calafrios. Cada passo era mais difícil que o anterior, mas mesmo assim ela manteve as costas eretas.
Em pouco tempo, Becky chegou ao seu quarto. Cerrando os dentes, ela mandou uma mensagem para Jessie Walker, sua melhor amiga. Após enviá-la, rapidamente juntou seus poucos pertences.
Quando estava prestes a descer com a mala, Rory subia as escadas. Sem sequer olhar para ele, Becky passou e continuou seu caminho.
A doença estava cobrando seu preço. No instante em que saiu de casa, sua visão ficou turva.
Por sorte, antes que pudesse desmaiar, Jessie chegou.
Ao ver Becky prestes a cair na calçada, Jessie ficou em choque.
"Onde diabos está o Rory?"
Saltou do carro, pegou a mala dela e a enfiou no porta-malas. Assim que o fechou, os joelhos de Becky cederam e ela desmaiou.
"Becky!"
exclamou Jessie, correndo para ampará-la. Quando tocou nela, chocou-se com o quão quente estava, o que a deixou angustiada e irritada. Com cuidado, Jessie a levou para o banco do passageiro e avisou: "Estou te levando para o hospital."
No entanto, Becky já estava inconsciente e não a ouviu. Seu rosto, pálido como papel, despertou a pena de Jessie.
Por ora, Jessie não tinha tempo para confrontar a família Casper, então pisou fundo no acelerador e correu para o hospital mais próximo.
Com febre alta, Becky dormiu a tarde toda.
Quando abriu os olhos, viu Jessie dormindo na beirada da cama.
Quase no mesmo instante, Becky se lembrou de tudo o que havia acontecido. Tudo ainda estava nítido em sua mente. Quanto mais pensava naquilo, mais angustiada se sentia.
Para não acordar a amiga, cerrou os dentes para conter o choro. No quarto escuro e silencioso, lágrimas silenciosas começaram a escorrer por seu rosto.
Ela se enganara sobre Rory. Jamais deveria ter acreditado que seria capaz de mudá-lo. Ele ainda amava Babette. Durante os últimos três anos, Becky não passara de uma piada para ele.
Não era de se admirar que Babette a tivesse chamado de estúpida. Agora que parava para pensar, percebeu que era mais do que apenas estúpida.
Com certeza, ela era a mulher mais estúpida do mundo.





