Léo, com o rosto ainda vermelho de choro, ergueu a cabeça e encarou Pedro.
"Isso não é justo! Eu ganhei a vaga com meu esforço! Não com o dinheiro do meu pai!"
Sua voz, embora trêmula, era firme. Ele se recusava a aceitar aquela humilhação.
Marcos soltou uma gargalhada alta e debochada.
"Justo? Garoto, acorde para a vida. Justiça é para os fracos. O que manda no mundo é o dinheiro. E nós temos de sobra."
Ele se voltou para a máquina de cartão, esperando a confirmação do pagamento. Em vez disso, um som agudo e irritante preencheu o silêncio.
BIP BIP BIP.
A tela da máquina exibia uma mensagem em vermelho: "TRANSAÇÃO RECUSADA".
O sorriso de Marcos vacilou.
"O que é isso? Deve haver algum problema com a sua máquina."
O diretor, de repente suando frio, tentou novamente.
BIP BIP BIP.
"TRANSAÇÃO RECUSADA".
"Senhor," disse o funcionário do museu, visivelmente nervoso, "o cartão foi bloqueado. A central informou que não pode ser utilizado."
A confirmação fez o sorriso de Ricardo se aprofundar. A sua contra-ofensiva havia funcionado perfeitamente.
Marcos arrancou o cartão da mão do diretor, incrédulo.
"Impossível! Vocês são uns incompetentes! Deixe que eu mesmo faço isso!"
Ele pegou a máquina com raiva e inseriu o cartão ele mesmo, digitando a senha com dedos trêmulos de fúria. Ele apertou o botão de confirmação com força.
BIP BIP BIP.
O som agudo parecia zombar dele. A mensagem "TRANSAÇÃO RECUSADA" brilhava como um holofote sobre sua humilhação.
Ele tentou de novo. E de novo. E de novo.
BIP BIP BIP. BIP BIP BIP. BIP BIP BIP.
O som eletrônico e estridente se tornou a trilha sonora de seu fracasso, cada bipe uma facada em seu ego inflado. A arrogância em seu rosto se desfez, substituída por uma máscara de confusão e pânico.
As pessoas que antes o bajulavam agora cochichavam entre si. Os olhares de admiração se transformaram em olhares de dúvida e, em seguida, de escárnio.
"Ele não disse que era um cartão ilimitado?"
"Parece que o 'poderoso' empresário está sem fundos."
"Que vergonha... Fazer todo esse show para nada."
A mudança na atmosfera era palpável. Marcos, que momentos antes era o centro das atenções, agora era o objeto de zombaria de todos.





