A Escolha Que Mudou Tudo

No dia seguinte, o Diogo finalmente apareceu no hospital.

Ele parecia cansado, mas havia um brilho de satisfação nos seus olhos.

"Resolvi o problema da Clara. Ela está segura agora."

Ele disse isto como se esperasse que eu ficasse aliviada.

Eu olhei para ele, a minha voz era calma, sem emoção.

"E o dinheiro para a cirurgia do meu pai?"

Ele evitou o meu olhar, olhando para a janela.

"Sofia, eu tive de usar o dinheiro. Eram agiotas, teriam magoado a Clara."

A minha respiração ficou presa na minha garganta. O ar pareceu ficar mais pesado.

"Tu usaste todo o dinheiro?"

"Sim. Mas não te preocupes, eu vou arranjar mais. Vou pedir um empréstimo, vou trabalhar horas extra. Eu prometo."

As suas promessas soavam vazias. Eram apenas palavras.

"Diogo, vamos divorciar-nos."

Eu disse as palavras de forma clara e firme. Não havia hesitação na minha voz.

Ele olhou para mim, chocado. A sua expressão mudou de cansaço para raiva.

"Divórcio? Estás a brincar comigo? Por causa disto? O teu pai está doente, e tu queres divorciar-te?"

"Exatamente por ele estar doente. Ele precisa de mim. E eu preciso de estar focada nele, não em ti e na tua irmã."

A raiva dele aumentou.

"Tu não tens coração, Sofia? A minha irmã podia ter morrido! Eu salvei uma vida! E tu queres deixar-me por causa de dinheiro?"

A vida difícil da Clara? E a vida do meu pai, a desvanecer-se numa cama de hospital?

"Não é pelo dinheiro, Diogo. É pela escolha que fizeste. Tu escolheste a tua irmã em vez do meu pai. Em vez de nós."

"Nós somos casados! Supostamente, devemos apoiar-nos um ao outro! O que é que eu devia fazer? Deixar a minha irmã ser espancada por credores?"

"Tu podias ter falado comigo. Podíamos ter encontrado outra solução. Mas tu decidiste sozinho. Vendeste a nossa casa e deste o dinheiro. Sem sequer uma discussão."

Ele riu, um som amargo e feio.

"Discussão? Tu terias dito não! Tu nunca gostaste da minha família!"

Isso não era verdade. Eu sempre tentei. Mas eles nunca me aceitaram. Para eles, eu era sempre a estranha.

"Pensa no que estás a dizer, Sofia. O teu pai precisa de um genro para ajudar. Queres que ele enfrente isto sozinho?"

Ele estava a tentar usar o meu pai contra mim.

"Ele tem-me a mim. Isso é suficiente."

Com isso, ele saiu do quarto, batendo a porta atrás de si.

Momentos depois, o meu telefone tocou. Era a mãe dele, a Dona Helena.

Eu não queria atender, mas sabia que ela não ia desistir. Respirei fundo e atendi.

A voz dela era aguda e cheia de acusação.

"Sofia! O que é que se passa contigo? Como te atreves a pedir o divórcio ao meu filho numa altura como esta? Não tens vergonha?"

"O Diogo não te contou o que fez?"

"Ele contou-me que salvou a irmã dele! Ele fez o que qualquer bom irmão faria! Tu é que és egoísta! Só pensas em ti e no teu pai!"

As palavras dela eram como pequenas pedras atiradas contra mim.

"O meu pai está a morrer, Dona Helena."

"E então? As pessoas ficam doentes! Isso não te dá o direito de destruir o teu casamento! O Diogo já está sob tanto stress, e tu acrescentas mais. És uma esposa terrível!"

Ela desligou na minha cara.

Eu olhei para o telefone, sentindo-me completamente vazia.

Eles eram todos iguais. A família deles era um círculo fechado, e eu nunca faria parte dele.

A minha decisão estava tomada. O divórcio era a única saída.

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