A Escada Quebrou, a Vingança Nasceu

"Leo, o nosso filho está morto."

Enviei a mensagem para o meu marido, Leonardo, e depois atirei o telemóvel para o lado da cama do hospital.

O meu corpo doía por todo o lado, um eco da dor de ter perdido o meu filho.

Na televisão do quarto, um repórter falava sobre o colapso de uma ponte antiga na cidade vizinha, um acidente que matou dezenas de pessoas.

A minha sogra, sentada numa cadeira ao lado, olhou para mim com desprezo.

"Não sejas tão dramática, Sofia. Foi só um aborto espontâneo. Acontece. Agora estás a fazer o Leo sentir-se culpado quando ele está a trabalhar tanto."

Eu não respondi. Apenas olhei para a parede branca.

Eu e o Leo estávamos a tentar ter um filho há três anos. Três anos de tratamentos, esperanças e desilusões.

Quando finalmente engravidei, ele parecia feliz. Mas a sua irmã, a Clara, nunca gostou de mim.

Hoje, a Clara ligou-me em pânico. Disse que o seu gato, o Tufão, tinha subido a uma árvore alta e não conseguia descer. Ela estava a chorar, a dizer que tinha medo que ele caísse.

Eu, com a minha gravidez de alto risco, disse-lhe para ligar aos bombeiros.

"Não posso!", gritou ela. "Eles vão rir-se de mim! Por favor, Sofia, o Leo disse que tu me ajudarias se eu precisasse. Vem cá, por favor!"

Eu cedi. Fui até à casa dela, que ficava do outro lado da cidade.

Quando cheguei, a Clara não estava a chorar. Estava sentada na varanda a beber um sumo, a olhar para o gato na árvore.

"Finalmente chegaste", disse ela, sem se levantar. "Pensei que já não vinhas."

Ela apontou para uma escada velha e enferrujada encostada à parede. "Usa aquilo."

A escada balançava. Eu estava com medo, mas a Clara insistia. "Anda lá, não sejas cobarde. É só um gato."

Subi. A meio do caminho, um degrau partiu-se.

Caí. A última coisa que me lembro foi de uma dor aguda na minha barriga e do riso da Clara.

O meu telemóvel vibrou. Era o Leo.

"Sofia, que raio de mensagem é essa? Estás a tentar assustar-me?"

A sua voz estava irritada, não preocupada.

"A Clara já me contou tudo. Tu foste descuidada e caíste. Agora estás a culpar toda a gente? Cresce, Sofia."

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ouvi a voz da Clara ao fundo, soando frágil e assustada.

"Leo, foi culpa minha. Eu não devia ter pedido ajuda à Sofia. Agora ela odeia-me. E o Tufão ainda está preso. Estou tão assustada."

A voz do Leo suavizou instantaneamente. "Não te preocupes, querida. Eu estou a caminho. Vou resolver tudo. Não chores."

Ele desligou.

As lágrimas que eu estava a segurar finalmente caíram.

O meu filho estava morto. E o meu marido estava mais preocupado com o gato da sua irmã do que comigo.

A minha sogra levantou-se.

"Vês? O Leo é um bom irmão. A Clara precisa dele. Tu só causas problemas."

Ela saiu do quarto, deixando-me sozinha com a minha dor e o som da televisão.

Decidi ali mesmo. Este casamento tinha acabado.

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