A Diabinha é Esposa do CEO

// Iuri Stewart

— O que foi aquilo? — o sr. Jones me questiona quando volto para dentro de minha sala.

— Aquilo o quê? — devolvo a pergunta com uma sobrancelha erguida.

— Sabe do que estou falando, não se faça de bobo, sabe que é antiético o que está fazendo!

— Eu ainda não fiz nada — digo me sentando — Agora pode ir, eu tenho trabalho a fazer — me ajeito de maneira mais confortável na cadeira acolchoada.

— Os funcionários começaram a murmurar se você realmente saberia redigir essa empresa que seu pai deu sangue para erguer. 

— Que pessoas?

— Praticamente todas, mas a que mais zombou foi sua secretária. Ela chegou a dizer que você é só um mulherengo e que Deus a livre de seus olhos, que você mais parece um moleque do que um homem de negócios.

Ah, miserável, eu sequer lembro o nome dela e muito menos o seu rosto. Mas vou mostrar-lá do que sou capaz de fazer com quem me desrespeita.

— Desse jeito você vai acabar...

— Quero ficar sozinho, saia — mando.

— Certo — se vira e sai da minha sala.

Ligo o computador e abro os arquivos onde contém os relatórios de cada setor, começo a ler os documentos de todos os setores, dou atenção especial ao setor de economia. Tem um desfalque muito grande de dinheiro daqui. É muita coragem, mas vou acabar com isso ainda hoje. 

Perco as horas analisando todos os arquivos envolvendo a empresa, e o desfalque de pouquinho em pouquinho virou um imenso bolo, parece que isso vem acontecendo desde a morte de meu pai, há sete anos.

Olho para o relógio e vejo que já são dezesseis e quarenta e nove, só faltam onze minutos para o expediente acabar. Eu nem almocei hoje. 

Secretária inútil.

Ligo o interfone para a secretaria.

— Venha agora na minha sala, e traga o responsável pelo setor econômico. 

Desligo o interfone sem esperar por uma resposta.

Em cinco minutos a porta é aberta e os dois entram.

— No que posso ajudá-lo, sr. Stevens? — pergunta o responsável pelo setor econômico. 

— Qual o seu nome? — pergunto observando o senhor à minha frente, barrigudo e grisalho, parece já ter uns setenta anos de idade.

— George Luis, senhor — responde sério.

— Muito bem, temos um probleminha, sr. George. Os dados de venda de serviço não batem com os de entrada de dinheiro dos últimos sete anos.

Falo calmo, noto o nervosismo dele, sua testa começa a suar. Reação de alguém culpado, ele está se sentindo encurralado.

— Eu... Bem, o senhor tem certeza que leu os relatórios da forma correta? Como é o seu primeiro dia, e eu sou mais experiente, acho que existe uma grande possibilidade de ter lido errado as informações e...

—Você está demitido — não vou permitir que insulte minha capacidade mental, me preparei por longos setes anos para chegar aqui e ser insultado por um mísero funcionário.

George arregala os olhos, sua boca abre e fecha várias vezes até que ele reencontra a voz e comece a chiadeira.

—Ma-mas por quê senhor? Eu não fiz nada para merecer a demissão! — esbraveja, não tenho tempo para lidar com esse tipo de gente.

— Você já está na idade de se aposentar — falo debochado — Sua velhice talvez o esteja fazendo colocar informações erradas nos relatórios, aconselho que faça isso, se aposente e aproveite o resto de sua vida, já trabalhou demais, ou melhor dizendo, já roubou demais, sete anos roubando, não acha isso tempo demais...

— Eu não roubei nada! — me interrompe, isso faz meu sangue ferver.

— Quem pensa que é para me interromper!? — bato na mesa o assustando — Não o quero mais trabalhando aqui e ponto! E aproveite que estou de bom humor, passe no RH e pegue os seus direitos!

— Eu não admito ser acusado sem...

— Eu tenho provas suficientes das suas fraudes aqui dentro, aproveite minha boa vontade, se não quiser ir para a cadeia melhor sair logo daqui! 

Sem dizer nada, ele se vira para sair.

— George? — o chamo — Pegue suas coisas e vá embora, não pagarei nada a você e nunca mais pise aqui, viva com o dinheiro que roubou por todos esses anos.

— Seu moleque, isso não vai ficar assim.

 Após me ameaçar, ele se vira e sai da minha sala, fico sozinho com a secretária metida a besta, é a hora dela receber o que merece também.

— Agora você — me levando e a cada passo que dou observo seu olhar me desejando, deve ter ficado impressionada com minha atitude — É casada?

— Não, senhor — fala com uma voz melosa.

— Hum, mas na sua ficha diz que é.

—Ma-mas é uma relação aberta. 

— De ambas as partes? — questiono ficando apenas alguns centímetros longe dela.

— Be-bem, eu, ah...

— Shiu! — coloco meu dedo em sua boca para que ela se cale.

Ela sorrir de forma safada e se afasta rebolando, vai até a minha mesa, se debruça e levanta a saia me dando uma visão completa de suas partes sem a proteção de uma calcinha.

— Você já veio na intenção de me seduzir? 

— Sim — ela abre mais as pernas.

Vê-la assim me dá desgosto, uma mulher casada, sem um pingo de caráter. Gosto de ser conquistado, mas não dessa maneira, e nem no horário do expediente. 

Claro, nesse horário apenas se eu pedir, e eu não pedi.

— Vai ficar aí só olhando? — ela começa a rebolar, se insinuando para mim.

— Acha mesmo que vai me seduzir assim? — questiono debochado — Se não me engano, você pediu a Deus para que te livrasse dos meus olhos, e que eu não era homem, e sim um moleque, estou certo?

— Eu, bem, sinto muito por ter falado aquilo, me precipitei e agora vejo que você é um homem com H maiúsculo.

— Está demitida — seus olhos se arregalam, ela não esperava essa reação.

— O quê? Por quê? 

— Vejamos, hum, assédio, calúnia e comportamento inapropriado causando uma situação constrangedora. Estou me sentindo extremamente constrangido e envergonhado com sua falta de ética.

— Não seja hipócrita! Eu vi você dando em cima da Elisa! Você também não foi ético! Assediou uma funcionária!

— Como eu iria assediar minha própria noiva? — bem, ela "ainda" não é minha noiva, mas vai ser.

— Ela o quê? Ela é...

— É melhor ir agora, se não será uma demissão por justa causa e ficará sem nenhum direito trabalhista.

Ela ajeita a roupa e se retira da minha sala, um problema a menos na minha vida.

Desligo o computador e arrumo os papéis sobre a mesa, o expediente finalmente chegou ao fim. Hora de ir para casa.

Depois de jantar, vou ao toalete, escovo os dentes. Retorno para o quarto e me deito, mais uma vez penso na dona daquele belo par de olhos. O que será que ela está fazendo agora? 

Preciso arrumar um jeito de prendê-la a mim, mas como farei ela se casar comigo?

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