A chuva batia forte contra as janelas do hospital.
Eu estava deitada, o corpo dolorido, o berço vazio ao meu lado.
O meu filho, Mateus, nascido há apenas três dias, lutava pela vida na UTI neonatal.
Liguei para o meu marido, Leo, buscando apoio e para lhe informar sobre a cirurgia urgente e dispendiosa que o nosso filho precisava.
Ele atendeu, a voz abafada por música alta e risos.
"O que foi, Ana? Estou ocupado."
Depois, ouvi as vozes da minha sogra e da irmã dele, Clara e Sofia, incentivando-o a desistir do nosso bebé.
Clara, a avó do Mateus, chamou-o de "poço sem fundo".
Leo, por sua vez, estava numa festa com a ex-namorada, Daniela, e disse-me para "não ser dramática".
Em vez de vir ao hospital, ele desligou na minha cara.
Depois, bloqueou-me.
Deixaram-me sozinha, no hospital, com o nosso filho moribundo.
O meu marido escolheu uma festa com a ex-namorada em vez do seu próprio filho.
A sua mãe, a avó do bebé, desejava a morte do neto.
Senti um aperto indescritível no peito.
Como puderam fazer isto?
Como é que um pai pode abandonar o seu filho no momento mais crítico?
Este casamento tinha acabado.
Mas eu não ia desistir do meu filho.
Ninguém se preocupava, mas eu sim.
A dor da cesariana era nada comparada à dor no meu coração, mas eu tinha que lutar.
Eu sabia que tinha que mudar o meu destino.
Eu ia encontrar uma maneira de salvar o meu filho, nem que fosse sozinha.





